Te vi, no meio da multidão, tanta gente igual, tanta gente normal, lá estava, foi estranho, um frio na barriga, fiquei bobo, era como ver um sonho se realizando bem diante dos meus olhos, um sonho daqueles que a gente se esforça para não acordar de repente e perceber que estava apenas dormindo, você sorriu, senti as mãos gelarem, você se aproximou, eu tive vontade de te abraçar, você era tão real e ao mesmo tempo tão incomum para ser de verdade, senti no seu abraço a forma e o calor exato para envolver o meu corpo e a segurança necessária para proteger o meu coração.
Não, aquela não foi a primeira vez que te vi, mas foi a primeira vez que te enxerguei tão nitidamente e naquele exato momento, te reconheci: Você era a mulher que surgiu para me mostrar a incrível sensação de viver com a cabeça nas nuvens e os pés no chão. E fui te conhecendo e me apaixonando cada dia mais, me identificando com o teu jeito e foi depois de descobrir todas as tuas manias loucas, o teu prato montanhoso no almoço e o quanto tu era parceira.
Nunca foi uma dessas paixões avassaladoras, destruidoras e repentinas, feitas para acabar um dia. É um desses amores calmos, quentes (muito quente) e construído com o tempo, feitos para durar pra sempre, como poucos. Não somos iguais, não somos diferentes, penso que somos um encaixe perfeito. Descobrimos juntos a cada dia, mesmo entre nossas histórias independentes e completas. Eu aqui e você lá. Você jamais me causou insônia ou dor de cabeça, pelo contrário, ao final do dia, quando eu sinto meus olhos se fecharem e os cílios se encontrarem é o seu rosto que eu imagino e tenho o sono mais tranquilo. Aí eu acordo no dia seguinte e percebo o real motivo: Você, diferente das outras, não veio tentando preencher meu copo, que sempre foi cheio. Você veio para trazer o seu copo também para juntos brindarmos nossas vidas que mesmo tão independentes adoram estar sempre juntas.
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