Amar hoje em dia é como empinar uma pipa. Por vezes se afrouxa a linha, por vezes a esticamos ainda mais pra analisar o quão longe ela consegue chegar. Mas sempre com a certeza que a pontinha desgastada da linha ainda se prende ao indicador da mão direita com a mesma força de quando era uma linha nova, recém comprada na papelaria. Ás vezes uma rajada de vento mais brusca ou uma corrente de ar mais abrupta abala o equilíbrio do movimento conseguido com tanto esforço. A pipa sobe, desce, faz que vai cair, faz que vai voar pra longe, perde o rumo, a direção, o norteio do balanço…perde a sustentação. E o que de fato acontece, é que nós, pequenas e inocentes crianças, com a sede e o alvoroço de continuar na brincadeira, com a teimosia de um garoto (a) que não sabe perder, fazemos esforços inimagináveis para manter o brinquedo no ar. Corremos daqui, dali, acolá. Amarramos um nó tão apertado no dedo, por medo do brinquedo se soltar e sumir no mundo, que chega a doer, a machucar, a ferir o dedo, o ego, a alma juvenil que no fundo tem mais gosto pela brincadeira, que pelo brinquedo. Mais importante do que saber como e quando iniciar a brincadeira é saber a hora de parar.
O momento de respeitar sua exaustão, de esperar um céu mais límpido e uma brisa mais favorável. É preciso se permitir por vezes uma estiagem para que a primavera possa florescer de novo.
O mundo gira e mais dia, menos dia, o universo traz pra você a pipa que você tanto esperava. Aquela que se sustenta sozinha, sem nós ou amarras e que nunca voa pra longe a menos que a brisa leve ambos, “brincante” e brinquedo, para a mesma direção…” ♥
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