sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Pensando no amor, não exito em afirmar que ele se encontra nos detalhes. O amor está na tranquilidade que muitas vezes o outro nos traz apenas de estar ali, presente, mesmo que em um cômodo diferente da casa. Nem sempre é questão de cheiro e toque; ele está também no intocável, na cumplicidade invisível de um sentimento que não exige muitas palavras. Amar é também encontrar serenidade nos espaços e silêncios, é não precisar de provas diárias para lembrar-se de que se é totalmente amado e aceito e carregar a paz e a certeza de uma entrega mútua que não permite dúvidas, pois é sentida em todos os lugares.

O amor está na telepatia, no conhecer o outro tão bem a ponto de antecipar suas palavras e pensamentos e mesmo assim sempre surpreender-se com a magia que é conectar-se tão profundamente com alguém a ponto de pronunciar frases sincronizadas, de ouvir o outro falar alguma coisa e pensar “nossa, eu ia falar exatamente a mesma coisa”.

O amor está na falta, na saudade absurda que sentimos do sorriso torto, da textura de sua camiseta favorita, do cheiro do pescoço e do cabelo bagunçado. É se esquecer de propósito de todas essas coisas só para se apaixonar novamente por elas no reencontro. O amor é reencontro. É uma constante mistura dolorida e gostosa de uma saudade daquilo que, muitas vezes ainda nem aconteceu.

O amor está também não necessariamente no concordar, afinal, e, felizmente, sempre haverá discordâncias e opiniões diferentes. Um será mais “relax” e sempre irá atrasar mais um pouquinho as preocupações, enquanto o outro será mais atento, sofrerá mais por antecedência do que por reais consequências. Mas, muito antes de compreensão, o amor está no respeito, na sensibilidade de saber ouvir mesmo que ainda assim decida não concordar, não na necessidade de mudar para agradar ou adequar-se ao outro; mas na liberdade de mudar naturalmente, na tranquilidade de ser exatamente aquilo que se é.

O amor está em todos risos, seja tímido ou escandaloso; nos silêncios e também nos barulhos; nas pernas bambas e na força da união de dois corpos; no respirar tranquilo e também no não conseguir respirar; na coragem de incluir alguém nos seus planos, mesmo sabendo que amanhã já não seremos mais os mesmos e sem a minima garantia de que a pessoa ainda estará lá, mas está acima de tudo, exatamente nos milhões de detalhes que surgem em nossas mentes quando alguém nos faz aquela difícil pergunta: “o que é o amor?”